terça-feira, 9 de março de 2010

O Horácio ficou forte, passou a voar com os outros passarinhos, veio cada vez menos e um belo dia não voltou mais. Eu dei comida, água, carinho, tempo, me preocupei com ele, me apeguei e agora ele se foi, sem nem dar satisfação.

O pior é que falando assim eu pareço muito com a minha mãe, reclamando da filha mais velha dela (eu mesma), rsrsrs...

O primeiro email

O retorno foi difícil. Trabalhar e estudar exaustivamente e, se possível, descansar nos momentos livres, já não fazia tanto sentido. Principalmente após conhecer tantas coisas novas e descobrir que a vida, de repente, possa - ou deva - oferecer mais do que isso.

Não que ela não se divertisse. Ela sempre gostou de dançar, rir, conhecer pessoas novas, ir ao cinema, ler um livro, namorar... Mas essas ocasiões se tornavam cada vez mais raras, substituídas pelo trabalhar para o futuro, que furtivamente apoderou-se do presente.

Trabalhar apenas o suficiente para não ter de trabalhar nos meses seguintes - como tantas pessoas que conheceu durante a viagem - também não parecia se encaixar no seu perfil.

Em meio a tantos questionamentos, ela recebeu o primeiro email.

Muito simples, perguntava sobre o resto da viagem, após aquela noite em claro no aeroporto. Partilhava fotos e histórias incríveis do Marrocos. Ela voltou no tempo e lembrou do australiano tímido, que pensou nunca mais encontrar. Quem sabe eles se tornariam amigos virtuais, que partilhariam as suas descobertas culturais e gastronômicas dos lugares mais curiosos do mundo... Quem sabe ela viajaria pelo mundo a cada foto e história de um novo lugar onde ele passasse e ele se surpreenderia ao saber de mais uma de suas viagens...
"Livrai-me do que preciso" (Jenny Holzer)
Li isso outro dia e achei interessante:

"Tanto a pornografia quanto o fast food retiram a importância do que é pessoal e íntimo. Ambos são feitos para as massas: sob medida para as pessoas apressadas, pessoas que evitam a intimidade, pessoas que buscam satisfação fácil, pessoas que não desejam assumir compromissos ou fazer grandes esforços - gente que, no fundo, preferiria comer e amar solitariamente".

Brunny Crumpacker, "A vida sexual dos alimentos", editora ideiaeação.

sábado, 6 de março de 2010

Encontros e desencontros

Ela viajava sozinha, pela primeira vez. Sonhava com isso há muito tempo e finalmente chegou o dia. Já estava há uma semana em Londres, visitando o irmão - os dias mais emocionantes da sua vida. Mochila nas costas, pegou o último trem da noite, rumo ao aeroporto.

Destino: Paris.

Tudo estava perfeito. Até mesmo a solidão era deliciosa, pois seu apelido era liberdade.

Dinheiro, não tinha muito. O plano era passar a noite no aeroporto, que ficava afastado da cidade, já que o vôo saía cedo demais, antes do primeiro trem da manhã, e o taxi... bom, mochileiro não anda de taxi em Londres.

No caminho, uma informação... quem respondeu foi o Gabriel, mochileiro australiano, com passagem para o Marrocos e que também se preparava para virar a noite - aliás, logo ficou muito claro que essa "prática" não era novidade, pois a praça de alimentação do aeroporto mais parecia um dormitório improvisado.

Não tardou muito para que chegasse o amigo de Gabriel: um australiano magrinho e tímido, mas muito, muito simpático. Os três conversaram por toda a madrugada, sobre assuntos totalmente irrelevantes. Uma conversa leve, desinteressada, entre pessoas que estavam prestes a experienciar uma grande aventura e que provavelmente nunca mais se encontrariam.

O amigo tímido disse que visitaria o Rio de Janeiro no ano seguinte e perguntou onde ela morava. Ela arrancou uma página do seu caderninho de notas e desenhou o Brasil, apontando para o último Estado ao sul: "aqui". Muito tempo depois, ele confessou ainda ter guardado aquele papelzinho.

Muitos cafés, terrivelmente fortes, preparados no silêncio da madrugada... "meus dois vícios: café e chocolate", ela explicou...

A manhã chegou, trocaram emails, como todos os mochileiros fazem, mesmo sabendo que a grande maioria dos contatos se perderão. Na despedida, um abraço no australiano tímido, que ficou mais tímido ainda...

Já no avião, olhos pesados, ela sorriu ao pensar que fez novos amigos e se despediu deles para sempre, no intervalo de algumas poucas horas... e de como a vida era doce... e, não mais conseguindo evitar, entregou-se ao sono...

sexta-feira, 5 de março de 2010

Fevereiro/2010

Estou há um mês sem escrever no blog. Fevereiro foi um mês muito difícil e de certa forma nao encontrei as palavras certas para expressar o que sentia quando, ao receber doses diárias de "desafios" (vou chamar assim, pois depois de solucionados, percebemos que nem chegaram a ser problemas), meu sentimentos mudavam quase que 24 vezes ao dia.

Dentre outras coisas, me vi afundando em um mar de burocracia, relacionada ao meu projeto para 2010, que será revelado na hora certa. Ainda nao consegui sair totalmente dessa situaçao, mas agora, ao invés de estar afundando, estou apenas nadando de costas na superfície (quase boiando), terminando os últimos papéis, para entao chegar na beira da praia e me deitar ao sol.

Também li: "Comer, Rezar, Amar" (muito bom, vai virar filme), a trilogia "His Dark Materials" em inglês (é uma ficçao infantil que gerou inúmeras controvérsias por supostamente estar estimulando o ateísmo, mas eu realmente gostei dos três livros, embora respeite opinioes contrárias) e estou no meio do Julie & Julia, versao em inglês, que estou achando mediano...

Dormi muito durante o Carnaval, aqui no sítio... e foi ótimo...

Em março se iniciou uma fase um pouco diferente... É o momento da espera, quando você fez tudo o que podia e só lhe resta aguardar...

Momentos como esse podem ser regados a ansiedades ou preenchidos com pequenos prazeres, como escrever no blog... Prefiro a segunda opçao, entao eis o primeiro post do mês da espera.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Terminei a dissertação e aguardo, em Florianópolis, a correção do trabalho pelos professores orientadores.

Alguém poderia pensar: "Mas que lugar maravilhoso para se esperar pela correção de uma dissertação de Mestrado!".

Pois é, eu pensei o mesmo, só não contava com a amigdalite e febre que estão me fazendo companhia...